Quando entrei na universidade, jurei a mim mesma que nunca iria praxar.
Hoje irei ser oficialmente trajada. Ironia do destino.
Na primeira vez que fui praxada, não fizemos nada de especial, graças a Deus. Andámos a correr, fomos a uma capela da minha universidade, fizeram lá umas rezas com o padre, assistimos a um tratado/acordo lá com uma escola ou universidade, sei lá, no Brasil, comemos com as mãos, como se fossemos uns animais (e pagámos 10€ por aquilo e mais 8€ de um kit que não nos serviu de quase nada, tirando o penico), batizaram-nos com o penico e água lá dentro e fomos embora para casa, porque tínhamos oficialmente virado caloiros.
Ontem foi o dia do enterro. Eu e a Victoria (que foi batizada e enterrada ontem), fomos para lá às 15h, apanhámos uma granda seca, assisti ao batismo dela, fomos ao mc donalds entretanto, conheci os padrinhos dela e pronto. Quando regressámos à uni, fomos aprender a traçar a capa, seguidamente tivemos de andar a andar pelo chão e a cantar "o balão do João", a passar em cima de bancos de jardim, por entre escadas e porcarias, e no fim fazer flexões em gravilha. Que giro, não é? Népia.
Depois disto tudo, fomos jantar. Vimos os talheres em cima da mesa, servimos todos os trajados e posteriormente nós mesmos. De repente retiraram-nos os talheres -.- Foi mesmo caso para dizer wtf. Só sabiam gritar, dizer asneiras e coisas obscenas, e têm eles 20, 30 e 40 anos. Por amor de deus. Nem jantar podíamos, descansados, credo. Houve uma rapariga, caloira, que discutiu o facto de não termos talheres, o que a levou a rejeitar a comida. Permitiram o uso de faca -.- A Victoria pediu um prato vegetariano e disseram-lhe que era o de bacalhau com natas. O que serviram foi alface, com tomate, maçã, queijo fresco e cenoura. Por amor de Deus. O prato de carne foi carne de porco a alentejana, com batata frita e azeitonas. Tava mais ou menos. Logo a seguir, mais flexões e pranchas e porcarias, que não fazem sentido nenhum e a seguir, ao menos sobremesa, leite creme. Posteriormente, depois de tudo arrumado, fomos colocados em frente a uns arbustos e depois, tivemos de subir uma grande subida, que ia dar a um jardim, com a ajuda dos flashes dos telemóveis. Em seguida chegámos à estrada, e novamente tivémos de subir. De repente, avistámos uma mata. Uma mata que ficava no alto da serra. Estava frio, ficámos molhados, devido à humidade, estava nevoeiro e nós ali, feitos bobo da corte "à espera da nossa morte". Depois de algum tempo à espera, a Victoria foi a primeira a ser enterrada. Seguidamente, depois de algumas pessoas, eu que pensava que ia ficar lá até às duas da manhã, fui também uma das primeiras. Fiquei tão feliz, meu Deus do céu. Vieram ter comigo, nomeadamente o padrinho da Vi, e levou me até "às portas da morte". Perguntaram-me quem eram os meus padrinhos. Disse-lhes o nome. O meu padrinho estava presente, mas a minha madrinha não. Disseram-me que a minha madrinha tinha saído do curso, e foi aí que fiquei super feliz, porque podia escolher outra, com quem tinha muito mais afinidade (eu não tenho quase contacto nenhum com os meus padrinhos). Deus do céu, taparam-me com uma capa, a cabeça e o corpo e guiaram-me até ao caixão. Disseram-me muito claramente "salta para o buraco". Fiquei com medo e dei um mini saltinho, é óbvio que não havia buraco nenhum, foi só para testar a confiança. Seguidamente, sentei-me, já dentro do caixão, e puxaram as minhas pernas para dentro. Agarrei numa cruz gigante, creio que de madeira, sempre com a cabeça coberta e fecharam o caixão. Bateram em cima do caixão e fizeram-me para lá uma macumba. Saí e o meu padrinho deu-me os parabéns. Ao fim de um tempo a andar, abraçá-mo-nos, demos um beijinho e uma troca de palavras, e fui-me embora com a Victoria. Quando cheguei ao carro, só pensei "Já não sou caloira". Cheguei a casa, comi, porque estava faminta, tomei banho e perto da uma da manhã fui dormir. Esta manhã acordei, e vesti umas leggings e uma camisola, tomei o pequeno-almoço e de momento estou aqui a sofrer de dores nas costas e no estômago e nem percebo bem o porquê. Depois do almoço, vou maquilhar a minha prima, que tem o seu primeiro baile de finalistas (eu depois mostro a makeup) e seguidamente vou para a universidade, para trajar, às 16h. Às 18h lá vêm os meus avós, pais e Pedro. Acho que vai ser um dia em grande, apesar do tempo estar meio chocho. Enfim, espero que me divirta. Posso concluir que o dia de ontem foi mais ou menos, mas mesmo assim pensava que iria ser pior. Como foi o vosso enterro? Gostaram? Contem aí nos comentários.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários
Enviar um comentário